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Triplo homicídio na 113 Sul: inocente preso por 14 anos e condenação anulada

O caso, que envolveu um ex-ministro e sua família, expõe falhas profundas na investigação criminal.

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História do Crime: triplo assassinato na 113 Sul teve inocente preso por 14 anos e condenação anulada

O triplo homicídio que chocou Brasília em 2009, envolvendo o ex-ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), José Guilherme Villela, sua esposa, Maria Carvalho Mendes Villela, e a empregada doméstica, Francisca Nascimento, teve desdobramentos dramáticos e controversos. O caso, marcado por tortura e confissões forçadas, resultou na prisão de inocentes e na anulação de condenações.

Detalhes do crime

As vítimas foram vistas pela última vez em 28 de agosto de 2009. A ausência do casal, que não compareceu ao trabalho e não deu notícias durante o fim de semana, levou a neta a investigar o que havia acontecido. Ao entrar no apartamento na 113 Sul, ela se deparou com os três corpos em avançado estado de decomposição e com sinais evidentes de violência, sem indícios de arrombamento.

Informações obtidas durante a investigação indicaram que os criminosos permaneceram no local por mais de duas horas, trocando de roupa e limpando possíveis evidências, enquanto cerca de US$ 1,5 milhão em bens foi subtraído.

Desdobramentos da investigação

Os primeiros passos da investigação foram conturbados. Em novembro de 2009, três homens foram detidos após uma vidente, Rosa Maria Jacques, alegar ter recebido informações sobrenaturais sobre o crime. Contudo, esses suspeitos alegaram ter confessado sob tortura e foram posteriormente libertados.

A filha das vítimas, Adriana Villela, foi alvo de investigações por supostamente ter encomendado o crime em razão de desavenças familiares e da disputa por um patrimônio estimado em R$ 10 milhões. Sempre negando as acusações, Adriana viu a investigação mudar de rumo quando Leonardo Campos Alves, ex-porteiro do prédio, confessou sua participação no crime. Ele alegou ter cometido o assassinato após uma resposta negativa ao seu pedido de emprego.

Confissões e contradições

Leonardo, junto com seu sobrinho Paulo Cardoso Santana e Francisco Mairlon Aguiar, foram implicados no crime. No entanto, as versões apresentadas mudaram drasticamente ao longo do tempo. Enquanto Leonardo e Paulo inicialmente afirmaram que Adriana os havia contratado, Paulo acabou retratando-se, alegando ter sido torturado e afirmando que nem Adriana nem Francisco estavam envolvidos.

Francisco Mairlon, que havia confessado, foi eventualmente considerado inocente após passar 14 anos na prisão. Em contrapartida, Leonardo e Paulo foram condenados a penas de 60 e 62 anos, respectivamente.

Anulação da condenação de Adriana

Adriana Villela foi condenada a mais de 60 anos de prisão em 2023, mas em setembro de 2025, o Superior Tribunal de Justiça anulou sua condenação. A defesa argumentou que houve cerceamento de defesa, uma vez que partes cruciais dos depoimentos não foram apresentadas a tempo. Com a anulação, o processo retornou à fase de instrução, e Adriana continua a responder aos processos em liberdade.

O caso da 113 Sul, que se iniciou com a descoberta dos corpos em um apartamento de Brasília, se transformou em um exemplo de falhas no sistema de justiça, refletindo um percurso repleto de injustiças, torturas e mudanças de versão que se arrastaram por mais de uma década.

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