O romance “Os Imortais”, da escritora de Brasília, Paulliny Tort, se tornou um fenômeno na literatura brasileira em 2026. O livro, que conquistou o Prêmio Literário Biblioteca Nacional, será adaptado para o cinema por Rodrigo Teixeira, produtor conhecido pelo premiado “Ainda Estou Aqui”. Lançado em março pela Fósforo Editora, a obra já atingiu sua sexta reimpressão e se destacou na Festa Literária Internacional de Paraty, a Flip. Além disso, traduções para diversos idiomas, como inglês, espanhol e polonês, estão a caminho.
O sucesso de um romance na pré-história
Embora “Os Imortais” se passe há aproximadamente 50 mil anos, a obra aborda temas universais, como a sobrevivência e as dinâmicas de um grupo de neandertais. O texto incorpora vocabulário específico, incluindo termos como “sanga”, “epícea” e “auroque”, que enriquecem a narrativa. É importante notar que, apesar de serem vistos como primitivos, os neandertais compartilham uma relação próxima com os homo sapiens, coexistindo em um ambiente repleto de tensões.
Trajetória e inspirações de Paulliny Tort
Aos 47 anos, Paulliny Tort demorou a se dedicar exclusivamente à escrita. Com uma trajetória que inclui trabalho como secretária e recepcionista, ela começou a publicar apenas aos 37 anos, enfrentando um forte senso de autocrítica. Antes disso, chegou a se aventurar em diversas áreas, como a venda de alimentos e a atuação no jornalismo, onde trabalhou por 14 anos. Sua formação inclui tentativas em Engenharia Florestal, Oceanografia e Ciências Biológicas, refletindo seu amor pela natureza.
O processo criativo de “Os Imortais”
Para escrever “Os Imortais”, Tort adotou técnicas inusitadas, como o jejum, para se conectar com as experiências dos neandertais. Ela acredita que essa prática proporciona um estado de consciência diferente, possibilitando uma imersão mais profunda na narrativa. Durante uma entrevista, a autora compartilhou que a criação de ficção é um processo intuitivo, comparando-o a sintonizar um rádio.
Reflexões sobre a literatura e o mundo contemporâneo
“Os Imortais” aborda questões relacionadas à escassez de recursos e à violência, refletindo sobre a coexistência de colaboração e competição na natureza humana. Paulliny acredita que a literatura não deve ser vista apenas como uma forma de entretenimento, mas como uma ferramenta para exercitar a sensibilidade e compreender melhor o mundo. Ela enfatiza a importância de promover a leitura e o acesso a livros, reconhecendo as barreiras que muitos enfrentam no dia a dia.
O sucesso de Paulliny Tort é um convite à reflexão sobre a literatura e seu papel em nossas vidas, especialmente em um contexto onde a leitura pode ser um desafio para muitos. Com “Os Imortais”, a autora nos leva a viajar no tempo, explorando a complexidade da vida em comunidade e a essência humana, enquanto se conecta com o presente de forma íntima e impactante.






