A Feira da Ponta Norte, situada na quadra 216 Norte, é um ponto de encontro essencial que integra a agricultura familiar, práticas agroecológicas e manifestações culturais. Recentemente, a comunidade local se mobilizou para garantir a continuidade do espaço, após uma notificação do DF Legal que gerou preocupações sobre um possível encerramento das atividades.
Mobilização comunitária
Feirantes, artistas e frequentadores uniram forças para defender a permanência da feira, vital para a conexão entre o campo e a cidade. A governadora Celina Leão se manifestou nas redes sociais para tranquilizar a população, após um encontro no Palácio do Buriti com Juliano Silva, presidente da Feira Agroecológica da Ponta Norte, e Claudionor Barros de Abreu, vice-presidente. Celina afirmou: “A notificação do DF Legal foi por falta de documentação e não significa fechamento”. Ela ainda se comprometeu a facilitar a regularização do espaço, garantindo que os feirantes possam trabalhar com dignidade e segurança.
Espaço de diversidade e cultura
A feira é um elo significativo para produtores rurais, assentados e trabalhadores autônomos, oferecendo produtos livres de agrotóxicos e promovendo a cultura local. O artista autônomo Ludi Um, que frequenta a feira desde 2020, enfatiza a importância do local: “Para mim, como artista autônomo negro, isso aqui é uma brecha, um rasgo, um respiro dentro de uma cidade que é hostil.” Para ele, a feira não é apenas um espaço comercial, mas um ambiente de fruição cultural e qualidade de vida.
O valor da inclusão
A feirante Tainá Cary, 31 anos, destaca o caráter acessível da feira, que se torna um refúgio em meio à agitação urbana de Brasília. “Feiras são pontos de encontro, lugares que você não paga para entrar”, observa. Ela ressalta que a feira deve existir para todos, permitindo que as pessoas usufruam de um espaço democrático sem se preocupar com o dinheiro.
Impacto econômico e social
A Feira da Ponta Norte é uma fonte crucial de sustentabilidade financeira para os produtores. Bruno Leandro Oliveira, um dos feirantes, explica que os produtos vêm diretamente do assentamento Roseli Nunes, eliminando atravessadores e assegurando que o lucro beneficie diretamente os produtores. “A feira cumpre seu papel social, além de alimentar: trocar ideias, saber de onde vem a produção”, afirma Bruno.
Sabrina Passos, que vende marmitas veganas, também expressa sua preocupação com a situação. “Quando recebi a notícia de que podia fechar, fiquei desesperada, porque o que eu faço aqui é um terço do que ganho no meu mês”, revela. Ela destaca a disposição da feira em se adequar às exigências do governo para garantir sua continuidade.
Dimensão cultural
A feira promove a cultura e a diversidade, como observa João Paulo Neves Cabral, que vende pastas de grão-de-bico. Para ele, o espaço vai além da comercialização, sendo um ponto fixo que fomenta o debate cultural e social em Brasília. “Você tem atividade cultural de vários artistas que não são contemplados pela indústria cultural”, aponta João Paulo.
A importância da comunidade
A Feira da Ponta Norte também se destacou durante a pandemia, servindo como um suporte emocional para seus frequentadores. O professor Piragibe da Paixão, que mantém uma banca de livros no local, compartilha sua experiência: “Foi o que me salvou de ter uma depressão. Hoje é muito legal estar aqui”.
A luta pela permanência da Feira da Ponta Norte é um reflexo da força da comunidade em preservar um espaço que não só alimenta, mas também acolhe e promove a cultura em Brasília.






