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Caminhada em Sobradinho 2 homenageia Byanca de Araújo uma semana após sua morte

Familiares e amigos pedem justiça e esclarecimentos sobre a trágica morte da jovem de 18 anos em evento com forte participação social.

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Familiares e amigos homenageiam Byanca de Araújo sete dias após sua morte

Na manhã de ontem, amigos e familiares de Byanca de Araújo Leão, de apenas 18 anos, se uniram em uma caminhada por justiça em Sobradinho 2. O ato, que teve início em frente à 35ª Delegacia de Polícia, culminou em uma missa de sétimo dia na Paróquia São José, onde a comunidade se reuniu para homenagear a jovem.

Manifestação por justiça

O evento contou com a presença de integrantes de movimentos sociais e exigiu respostas sobre as circunstâncias que levaram à morte de Byanca, que foi atingida por um tiro na cabeça na madrugada de 31 de outubro, em uma residência na AR 17. A mãe, Jamila Assunção de Araújo, de 37 anos, revelou que recebeu a trágica notícia enquanto estava na Bahia, cuidando dos irmãos de Byanca. Ela descreveu o momento angustiante: “Quando eu peguei o celular, ele (o pai da vítima) mandou uma mensagem falando assim: ‘Aconteceu uma tragédia com a Byanca’. Nesse exato momento, eu já pensei assim: ‘Minha filha morreu, mataram minha filha’”.

Demandas da família

Jamila contou que sua filha não conhecia os adolescentes presentes na festa de aniversário que culminou na tragédia. Byanca foi convidada por uma amiga e, segundo sua mãe, estava apenas acompanhando. “Uma menina inocente, que não sabia o que estava acontecendo, só foi porque foi chamada”, lamentou. O pai, Valdir da Silva Leão Júnior, de 42 anos, também se manifestou, cobrando informações sobre a investigação e a responsabilização dos envolvidos. “A gente quer justiça, que não caia no esquecimento”, afirmou.

Armas e investigações

Os familiares expressaram preocupação quanto à falta de informações sobre as armas encontradas na casa de um dos adolescentes suspeitos. Foram localizadas quatro armas, pertencentes ao pai de um dos jovens, que possui registro como Colecionador, Atirador Desportivo e Caçador (CAC). A prima de Byanca, Aline Costa, destacou a falta de clareza sobre qual arma foi utilizada no disparo: “A gente não sabe quem foi o autor, a gente não sabe qual foi a arma e a gente não tem acesso ao andamento do processo”.

Perspectivas de gênero na investigação

A manifestação recebeu apoio de diversos grupos, incluindo o Levante Feminista, que defendeu que a morte de Byanca deve ser analisada sob a ótica da violência de gênero. A socióloga Ana Liési Thurler, de 82 anos, fez um apelo por uma investigação mais aprofundada: “Não dá pra aceitar que é homicídio, isso é feminicídio”. A educadora e conselheira tutelar Rayane Fontenele, de 30 anos, também levantou preocupações sobre o acesso de adolescentes a armas de fogo.

Os participantes da caminhada não apenas pediram justiça, mas também se comprometeram a manter viva a memória de Byanca. “Ela tinha família, ela era muito querida por todos”, enfatizou a prima Aline. Uma amiga que preferiu permanecer anônima descreveu Byanca como uma pessoa dedicada e alegre: “A Byanca sempre foi uma menina feliz, uma menina sorridente, uma menina que se dedicava a tudo e a todos”.

Até o fechamento da matéria, a Polícia Civil informou que a investigação segue sob sigilo, devido à participação de menores, conforme estipulado pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). Os três adolescentes suspeitos foram encaminhados ao Núcleo de Atendimento Integrado (NAI), onde aguardam decisões do Poder Judiciário.

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