O cineasta Gabriel Martins, conhecido por seu trabalho na produtora Filmes de Plástico, expressa sua alegria ao ver o sucesso do filme “Vicentina pede desculpas”, exibido no Cine Brasília, uma das mais renomadas salas do Brasil. Para ele, o ambiente propício da capital federal contribui para que a mensagem do filme ressoe de forma intensa entre o público.
O impacto de “Vicentina pede desculpas”
Com uma narrativa que aborda a crise de consciência de uma mãe em decorrência de um acidente de trânsito, o longa-metragem ganhou destaque em festivais internacionais, como o Festival Internacional de Cinema de Toronto e o Festival Internacional de San Sebastián. Além disso, foi escolhido para representar o Brasil nos prêmios Goya, com resultados previstos para fevereiro de 2027. Martins também celebrou as conquistas no Festival do Rio, onde “Vicentina pede desculpas” foi premiado nas categorias de melhor direção, melhor roteiro e melhor longa de ficção, segundo a votação popular.
A necessidade de reorganização no cinema nacional
Em uma entrevista, Martins abordou a situação do cinema brasileiro e a importância de uma nova estruturação na Agência Nacional do Cinema (Ancine). Ele acredita que é essencial dar atenção aos novos profissionais que estão começando suas trajetórias. “A produção nacional e a Ancine precisam de reorganização, com o tempo, para poder olhar de forma mais ampla as cadeias produtivas do cinema, principalmente no que diz respeito às pessoas que estão começando a trabalhar hoje”, afirmou.
Reflexões sobre a realidade brasileira
Apesar dos avanços, Martins expressou preocupação com a situação social do Brasil. Segundo ele, o país ainda vive uma “guerra ideológica”, e a ideia de uma pacificação é ilusória. “Não sei se eu entendo que o Brasil esteja apaziguado. Acho que o Brasil está em constante guerra ideológica, de pensamentos”, comentou.
A representação feminina e a empatia nas histórias
O cineasta também discutiu sua abordagem ao retratar a sororidade e a vivência feminina em seus roteiros. Ele acredita que a representação deve ser feita com respeito e empatia, mesmo que não faça parte de sua identidade. “Escrever sobre elas como uma forma de aprender também”, disse Martins, ressaltando a importância de um trabalho coletivo na construção dos personagens.
A influência de Gilberto Gil e a música no cinema
Martins também compartilhou a relevância da presença de Gilberto Gil em sua obra, mencionando que a influência do músico sempre esteve presente em sua vida. “O Gilberto Gil faz parte da minha vida desde que eu era criança”, declarou. Além disso, ele frisou que a música é uma parte intrínseca de seu processo criativo, refletindo sua sensibilidade artística.
Desafios e oportunidades com o streaming
Sobre a parceria com a Netflix, Martins reconheceu os riscos de uma possível homogeneização da linguagem cinematográfica, mas enfatizou que esse projeto específico respeitou sua visão criativa. “Eu fiz um filme que eu faria se eu tivesse feito ele todo com edital”, afirmou, destacando a importância de manter a autenticidade em suas narrativas.
O cinema mineiro e sua singularidade
Por fim, Martins elogiou a força do cinema mineiro, que, segundo ele, se destaca pela riqueza de suas narrativas e pela diversidade de influências artísticas. Ele acredita que essa pluralidade é fundamental para o crescimento do setor e para a criação de histórias que ressoam com o público.
Gabriel Martins conclui sua reflexão afirmando que o reconhecimento no cinema, como uma indicação ao Oscar, não deve ser o único objetivo. “Reconhecimentos ampliam um filme, mas não se pode depender deles”, finaliza, sublinhando a importância de construir um cinema autêntico e impactante.






