As cachoeiras são destinos populares entre os brasilienses, especialmente na região do Distrito Federal e em municípios goianos. No entanto, a temporada de chuvas traz riscos significativos para os banhistas, independentemente de sua experiência em trilhas ou natação. Segundo a guia turística Janaína Figueiredo, “época de chuva não é para se aventurar a fazer trilha, a não ser que você vá com um profissional habilitado que conheça bem o local”.
Cuidados essenciais em épocas de chuva
Janaína destaca que, embora nunca tenha enfrentado uma situação de emergência causada por aumento rápido do nível da água, ela já presenciou incidentes semelhantes. Recentemente, na Chapada dos Veadeiros, ela e seu grupo de turistas aguardavam para descer uma trilha quando souberam de outra equipe que ficou presa na cachoeira Santa Bárbara até ser resgatada. “O rio subiu e não deu nem para jogar uma corda. Agora, tem uma ponte naquele local”, relata.
Medidas de segurança implementadas
Após um acidente fatal em 2019 no Vale da Lua, a administração local tomou medidas rigorosas para aumentar a segurança dos visitantes. “Começou a chover, retiram os banhistas. Choveu muito, fecha a propriedade”, explica Janaína. Além disso, foi implementado um sistema de monitoramento do rio São Miguel, que avisa guias e proprietários sobre chuvas na nascente através de rádio e WhatsApp.
Orientações para os banhistas
Para garantir a segurança durante os passeios, Janaína recomenda que os turistas observem o nível da água a partir de um ponto fixo, como uma pedra ou planta. É importante nunca ir sozinho ou se afastar do grupo e, principalmente, não confiar apenas nas condições climáticas locais, já que chuvas em áreas distantes podem impactar os rios. “Se a água subiu em pouco tempo, como 10 ou 15 minutos, é hora de ir embora, porque vai descer a cabeça d’água”, alerta.
Ações em caso de chuvas repentinas
Quando a chuva se intensifica rapidamente, evacuar a área da cachoeira deve ser a prioridade. Janaína recomenda evitar abrigo embaixo de árvores e, se a trilha for curta, retornar rapidamente. Para trilhas mais longas, o ideal é encontrar um lugar aberto para minimizar riscos de raios, evitando permanecer à beira do rio, onde a correnteza pode aumentar consideravelmente.
Entendendo a cabeça d’água
A cabeça d’água é um fenômeno perigoso que pode ocorrer mesmo em áreas onde não chove. A meteorologista Ana Wilke, do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), explica que “pode estar fazendo sol ou o tempo permanecer sem chuva na cachoeira, enquanto uma chuva forte ocorre quilômetros acima”. Quando o solo já está saturado, a água da chuva escoa rapidamente para os rios, provocando elevações repentinas nos níveis de água.
Regla Somoza, do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), acrescenta que a saturação do solo pode ser resultado de chuvas acumuladas de dias anteriores. O capitão Jean Charles, do Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal, destaca que as pessoas frequentemente cometem o erro de subestimar a correnteza. “A orientação principal é não entrar na água para tentar realizar o salvamento”, alerta.
Encerrando o passeio com segurança
Caso um banhista esteja em perigo, é fundamental acionar o Corpo de Bombeiros pelo telefone 193, informando a localização e as condições do local. Se for seguro ajudar, é possível oferecer um objeto longo e resistente, como uma corda, para que a pessoa alcance um local seguro, além de manter contato visual e verbal para incentivá-la a flutuar e se afastar de obstáculos. A segurança deve sempre ser a prioridade em passeios por cachoeiras, especialmente durante períodos de chuva.






