Ruy Castro e Heloisa Seixas completam 35 anos de um relacionamento que se entrelaça com a literatura. O autor, recentemente agraciado com o prêmio Jabuti pela segunda vez consecutiva, ressalta que sua vida é compartilhada com a parceira e os livros: “Somos eu, ela e os livros”. O casal, que vive em um amplo apartamento no Rio de Janeiro repleto de cerca de 15 mil volumes, se apresenta hoje, às 18h30, no Clube de Leitura do Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) em Brasília.
Literatura e o cotidiano carioca
Durante o evento, os autores discutirão suas obras mais recentes, “Trincheira tropical”, de Ruy Castro, e “O livro dos pequenos nãos”, de Heloisa Seixas. O primeiro aborda os efeitos da Segunda Guerra Mundial na vida da cidade, enquanto o segundo explora narrativas que refletem o acaso. Heloisa comenta que participar de eventos literários é fundamental para os escritores. “Nesses contatos percebe-se com clareza como você mexe com a vida das pessoas e a responsabilidade e a beleza que há nisso”, afirma.
A conexão com o Rio de Janeiro
Ambos os autores têm uma ligação intensa com o Rio, que se reflete em suas obras. Ruy destaca que nunca se afastou da cidade, mesmo quando viveu fora do Brasil. Para ele, a história do Rio é uma constante fonte de inspiração. “No Rio você convive, quer queira quer não, com a história”, explica. Por outro lado, Heloisa menciona que “O livro dos pequenos nãos” foi considerado o mais carioca de seus trabalhos, enfatizando a relação viva e emocional que tem com a cidade.
Pesquisa e imaginação na escrita
A pesquisa histórica é um elemento central no trabalho de Ruy, que dedicou seis anos e consultou mil obras para “Trincheira tropical”. Heloisa, embora também realize pesquisas, prefere explorar a linha tênue entre realidade e fantasia. “Eu gosto mesmo é de andar na fronteira entre real e fantasia”, afirma. Ambas as abordagens ressaltam como a vida e as experiências pessoais influenciam suas criações literárias.
O papel da literatura na vida do casal
A literatura se tornou uma parte essencial da dinâmica do casal. Ruy descreve seu casamento como um “ménage à trois” com os livros, enquanto Heloisa revela que os livros estão sempre presentes em suas vidas, “entrando e saindo” de suas estantes. Essa convivência literária é fonte de prazer para ambos, que compartilham não apenas o amor, mas também a paixão pela escrita.
No contexto social, Ruy critica a situação política do Rio, enfatizando que a justiça é mais severa na cidade. Ele observa que o cenário eleitoral do Rio é semelhante ao do Brasil, mas com nuances que o tornam único. A rica discussão entre os dois autores, marcada por suas visões complementares, promete enriquecer o evento no CCBB, refletindo não apenas suas trajetórias individuais, mas também a profunda conexão entre eles e a cidade que amam.






