Na quarta-feira, 4 de novembro, às 19h, a Livraria Platô será palco do lançamento de Apneia, a mais nova obra da escritora e artista plástica Esther Faingold. O livro narra a história de uma mulher que, enquanto se prepara para sessões de eletrochoque para tratar a depressão, escreve uma carta para sua filha adolescente, refletindo sobre a possibilidade de perder suas memórias e a própria identidade.
A fusão entre ficção e autobiografia
Apneia é uma narrativa que mistura ficção e autobiografia, onde a autora, que também foi companheira do renomado artista Tunga, explora temas como dor, vida, morte e o desejo de escapar. A personagem principal, assim como Esther, é uma mulher que vive em Brasília e enfrenta a iminência de um tratamento que poderá apagá-la do mundo. A obra revela suas angústias e o medo de que suas memórias desapareçam, deixando um vazio irreparável.
Referências e contexto familiar
A história traz várias referências culturais e religiosas, incluindo o Talmude e a história antiga de Roma, que servem como pano de fundo para a trama. A própria narradora é uma representação de Esther, que homenageia sua avó, uma judia que fugiu da Bessarábia. “Venho de gente que atravessou o mar com a vida nos bolsos e chegou calada”, destaca a autora em entrevista, ressaltando a importância da memória em sua família.
Evento de lançamento e bate-papo
Além da sessão de autógrafos, a autora participará de um bate-papo mediado por Regina Dalcastagnè, professora da Universidade de Brasília, onde discutirá as temáticas abordadas em Apneia. O livro, publicado pela Cosac, possui 144 páginas e será vendido por R$ 81.
Reflexões sobre maternidade
A maternidade também é um tema central na obra, abordando as falhas e medos que cercam essa experiência. A narradora menciona: “Uma orfandade coletiva não sai de mim”, e reflete sobre a construção da maternidade através das próprias vivências, sem um modelo a ser seguido. A escritora utiliza a imagem das iguanas das Ilhas Galápagos para ilustrar a ideia de oferecer calor e proteção à sua filha, permitindo que ela cresça e se desenvolva sozinha.
Uma narrativa fragmentada
A escolha pela narrativa fragmentada é uma estratégia que reflete o estado mental da protagonista, que se lembra de sua vida em pedaços. Essa técnica permite ao leitor experimentar a urgência e a tensão que permeiam a escrita da narradora, que conta com um tempo limitado antes do eletrochoque. Cada palavra escrita é um esforço, e a estrutura do livro reflete essa luta interna.
Conclusão sobre a busca por identidade
Apneia é uma obra que provoca reflexões profundas sobre a identidade, a memória e o papel da literatura em momentos de crise. Com uma narrativa que combina elementos autobiográficos e ficcionais, Esther Faingold convida os leitores a mergulharem em uma jornada pela fragilidade da vida e a busca pela preservação das memórias. O livro se apresenta como um testemunho poderoso de uma mulher que luta para se manter viva e presente, mesmo diante da incerteza.






