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Esquema de apostas ilegais movimenta bilhões e envolve empresas no DF

Investigações revelam a operação AZZARDO, que utiliza empresas de fachada para disfarçar transações financeiras de apostas.

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De loja de tarô a clínica: como esquema de bets movimentou milhões no DF

Uma investigação em andamento no Distrito Federal desvendou um esquema ilegal de apostas que movimentou aproximadamente R$ 1 bilhão. O foco da operação, batizada de AZZARDO, são empresas de fachada, incluindo uma loja de tarô e uma clínica de assistência psicossocial, que atuavam como intermediárias para repassar dinheiro a plataformas de apostas não autorizadas.

Como o esquema operava

A operação foi desencadeada após a Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda identificar plataformas de apostas esportivas que funcionavam sem a devida autorização. Os pagamentos realizados pelos apostadores não eram transferidos diretamente para as plataformas de apostas, mas sim por meio de contas de empresas que aparentemente não tinham relação com o jogo. A polícia constatou que essas empresas, situadas em Sobradinho, Ceilândia e Sobradinho II, eram usadas para esconder a origem dos recursos, dificultando o rastreamento.

Empresas de fachada e movimentações financeiras

O levantamento inicial apontou que as empresas suspeitas foram abertas entre fevereiro e julho de 2026. Muitas delas apresentavam o mesmo capital social e estavam registradas em endereços semelhantes. Além disso, em alguns casos, os locais indicados não correspondiam a estabelecimentos reais. A polícia identificou que esses negócios atuavam como intermediários, recebendo os pagamentos e redistribuindo os valores entre múltiplas contas, dificultando a identificação dos verdadeiros responsáveis.

Envolvimento de uma fintech

Outro elemento crucial na investigação é uma fintech de São Paulo, que possui autorização do Banco Central para funcionar como sociedade de crédito direto. Testes realizados pela Secretaria de Prêmios revelaram que os pagamentos feitos nas plataformas investigadas eram direcionados a contas de empresas de fachada geridas pela fintech. Análises financeiras indicaram cerca de R$ 1 bilhão em movimentações ligadas à fintech e às empresas associadas, incluindo repasses a uma das empresas alvo da operação.

Investigação amplia o foco

As investigações também atingiram empresas com autorizações para operar loterias em Paraíba e Rio de Janeiro, que, segundo a polícia, estavam explorando plataformas não autorizadas. Relações financeiras e societárias suspeitas foram identificadas, levantando preocupações sobre a legalidade das operações dessas companhias e suas conexões com o esquema.

Medidas judiciais e consequências

A Justiça já determinou o bloqueio de contas e ativos de 64 pessoas físicas e 120 empresas, com um limite total de R$ 3,483 milhões. Outras ações incluem a suspensão de registros de empresas e a proibição de abertura de novas contas bancárias pelos investigados. A operação conta com a colaboração das polícias civis de cinco estados, buscando documentos e materiais que possam elucidar o esquema.

As consequências para os envolvidos podem ser severas, com penas que somadas podem chegar até 33 anos de prisão, dependendo da gravidade das acusações. A investigação prossegue com o intuito de identificar os líderes do esquema e aqueles que se beneficiaram da movimentação financeira irregular. O nome da operação, AZZARDO, remete à expressão italiana que significa “jogo de azar”, refletindo a natureza ilícita das apostas que estavam sendo realizadas.

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