Em um movimento que levanta dúvidas sobre sua coerência, o governo federal brasileiro anunciou uma previsão de crescimento significativo na produção de petróleo, mesmo enquanto promove sua estratégia de transição energética. A expectativa é que a produção de petróleo atinja 4,9 milhões de barris por dia até 2035, um aumento de 30% em relação a 2025, quando a produção média foi de 3,7 milhões de barris.
Projeções energéticas e contradições
Recentemente, o Ministério de Minas e Energia (MME) e a Empresa de Pesquisa Energética (EPE) divulgaram o caderno de produção de petróleo e gás natural do Plano Decenal de Expansão de Energia (PDE). Este plano, que é atualizado anualmente, projeta que a produção diária de petróleo chegue a 5 milhões de barris em 2028 e, em seguida, estabilize em torno de 4,9 milhões até 2035. A produção de gás natural também deve crescer, saltando de 179 milhões de metros cúbicos por dia em 2025 para 308 milhões em 2035.
Necessidade de investimentos e novas descobertas
Para suportar essa trajetória de crescimento, o estudo aponta a necessidade de investimentos que totalizam cerca de R$ 2,4 trilhões entre 2027 e 2036, sendo a maior parte destinada à instalação de 29 novas plataformas marítimas. O documento ressalta a importância de novas descobertas e perfurações para garantir a continuidade da produção de petróleo e gás natural.
Diretrizes do Conselho Nacional de Política Energética
Na sequência, o Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) aprovou uma resolução contendo 18 diretrizes que buscam delinear o Mapa do Caminho brasileiro. Contudo, os compromissos concretos para a redução da dependência de combustíveis fósseis só serão revelados em 270 dias. A urgência dessas diretrizes é enfatizada por figuras importantes, como o presidente da COP30 e o ministro do Meio Ambiente, que propuseram que outros países desenvolvessem seus próprios Mapas do Caminho.
Críticas à estratégia do governo
A coordenadora de Políticas Públicas do Observatório do Clima, Suely Araújo, expressou sua preocupação com a aparente contradição nas ações do governo. Embora o Brasil busque uma liderança internacional na descarbonização, Araújo observa que as iniciativas internas tendem a favorecer a expansão de combustíveis fósseis, especialmente petróleo e gás. Segundo ela, o aumento da produção de petróleo não se justifica para o abastecimento interno, uma vez que o país já exporta o óleo bruto.
Encerrando a análise, a crítica se estende à lentidão na divulgação dos compromissos concretos do governo, que podem comprometer a credibilidade de suas intenções de transição energética. A coordenadora conclui que, apesar de incentivar fontes renováveis, a verdadeira transição energética requer a substituição efetiva de fontes fósseis, algo que, segundo ela, ainda não está ocorrendo no Brasil.






