A sede da Associação Recreativa Cultural Unidos do Cruzeiro (Aruc), localizada no Cruzeiro Velho, foi o palco de uma grande celebração no último sábado (7/11). Com uma tradicional feijoada, o evento marcou os 65 anos da escola de samba e inaugurou a exposição “Aruc: do concreto à passarela da identidade cultural de Brasília”, atraindo cerca de 400 participantes e revitalizando a história do carnaval na capital.
Uma festa repleta de samba e confraternização
A programação da festa começou com o grupo Feijão da Mesma Concha, animando o público com sambas de raiz e de roda. Logo depois, a bateria da Aruc tomou conta do espaço, acompanhada por passistas e o casal de mestre-sala e porta-bandeira. O evento também contou com a volta do grupo de pagode, proporcionando uma festa que se estendeu por horas a fio.
Importância histórica da Aruc
Hélio Tremendani, diretor da Aruc, enfatizou a importância da celebração para resgatar a memória da agremiação, que está intrinsecamente ligada à formação de Brasília. A Aruc foi fundada em 21 de outubro de 1961, por servidores públicos que se mudaram do Rio de Janeiro para a nova capital. Tremendani destacou que “a história da Aruc é a história que se confunde com a própria história de Brasília”.
A exposição traz um acervo de fotografias que retratam os primeiros carnavais, e segundo Tremendani, “o Correio Braziliense, ao longo desses 65 anos, teve uma importância fundamental, porque era o instrumento de divulgação de nossas apresentações e de nossos desfiles”.
Resgatando a memória cultural
Os registros da exposição incluem documentos do Centro de Documentação (Cedoc) do Correio Braziliense, com fotografias, textos e recortes que narram a trajetória da Aruc e a participação das escolas de samba na construção da identidade cultural de Brasília. O objetivo é conectar diferentes gerações à memória carnavalesca e ressaltar a importância do carnaval como uma manifestação da cultura popular local.
Desafios atuais e expectativas futuras
Além de celebrar o passado, a exposição também destaca os desafios enfrentados pelas escolas de samba do Distrito Federal. Tremendani apontou que a falta de desfiles oficiais desde 2015 tem enfraquecido as entidades carnavalescas. Segundo ele, “essa exposição, acima de tudo, é uma prova para o Governo do Distrito Federal de que Brasília tem carnaval, tem escolas de samba.”
A expectativa é que a situação melhore, com a governadora Celina Leão (PP) prometendo que a organização do carnaval de 2027 será resolvida em 2026. “Estamos aguardando ser chamados por ela para dar o pontapé inicial. Vamos ver”, disse Tremendani.
Proximidade com a comunidade
Enquanto aguarda um retorno do governo, a Aruc continua a organizar eventos que fortaleçam o vínculo com a comunidade. A feijoada deste ano, embora adiada devido ao período eleitoral, coincidiu com a inauguração da exposição, oferecendo uma oportunidade única de celebrar a rica história da escola e manter a conexão com o público.
A exposição estará disponível na sede da Aruc até este sábado (7/11) e no domingo (8/11). Entre os dias 9 e 13 de novembro, a mostra seguirá para o Sindicato e Teatro dos Bancários, e posteriormente passará por unidades do Sesc-DF e chegará ao Espaço Cultural Renato Russo durante o carnaval de 2027. Essa circulação visa ampliar o acesso aos registros históricos e aproximar diversos públicos da trajetória do samba e das escolas de Brasília.






