O dia 5 de novembro de 1896 marca um momento histórico para o Brasil: a primeira exibição pública de um filme, realizada no Rio de Janeiro. Desde então, o cinema nacional evoluiu e ganhou destaque internacional. Nesta quinta-feira, três novas produções brasileiras chegam aos cinemas, prometendo encantar o público: Feito pipa, Assalto à brasileira e Vicentina pede desculpas.
Feito pipa: um olhar sensível sobre o Alzheimer
Dirigido por Allan Deberton e escrito por André Araújo, Feito pipa é o filme selecionado pela Academia Brasileira de Cinema para representar o Brasil no Oscar 2024. A trama gira em torno de Gugu, um menino que enfrenta o desafio do Alzheimer de sua avó, Dilma. A obra já participou de mais de 50 festivais, recebendo prêmios importantes, incluindo o de Melhor Filme no 76º Festival de Cinema de Berlim.
O diretor destaca a relevância de sua obra: “Vejo a escolha do filme como representante do Brasil como um reconhecimento da força e da diversidade do cinema brasileiro e, também, do potencial do nosso estado em promover, criar e sustentar políticas públicas de valorização da cultura local.” Ele enfatiza que a narrativa é uma jornada onde a imaginação e a fantasia ajudam a lidar com temas delicados como a perda e o preconceito.
Assalto à brasileira: um retrato da sociedade
Com um elenco estrelado, incluindo Murilo Benício e Paulo Miklos, Assalto à brasileira, dirigido por José Eduardo Belmonte, traz uma narrativa inspirada em um assalto real ocorrido em Londrina em 1987. O filme se destaca por abordar o contexto econômico do Brasil, onde muitos simpatizam com os assaltantes. O diretor explica que a história vai além do crime, revelando detalhes sobre a condição humana e as contradições sociais do país.
Belmonte, que tem uma conexão pessoal com Brasília, onde estudou, descreve sua alegria em retornar ao Festival de Brasília com este filme. “É um festival que tem memória, que conhece o cinema brasileiro e que não se furta a discutir seus filmes”, afirma. Ele expressa a esperança de que a obra encontre seu público, pois a verdadeira missão do cinema é contar histórias que ressoem com as pessoas.
Vicentina pede desculpas: um drama humano
No novo filme de Gabriel Martins, Vicentina pede desculpas, a protagonista, interpretada por Rejane Faria, lida com o luto e a culpa após um trágico acidente envolvendo um ônibus. A narrativa se desenrola em Belo Horizonte, onde Vicentina busca entender as ações do filho, Wesley, e reparar os danos causados. O filme aborda temas como solidariedade e a solidão na terceira idade, oferecendo uma reflexão profunda sobre a vida e as relações humanas.
Com uma fotografia impecável e uma trilha sonora marcante, a produção é uma coprodução entre a Filmes de Plástico e a Netflix. Martins, que já foi indicado ao Oscar com seu filme anterior, traz uma nova abordagem de empatia e responsabilidade, prometendo tocar o coração do público.
Em resumo, essas estreias não apenas celebram o cinema brasileiro, mas também ressaltam a diversidade de histórias e vozes que compõem a rica tapeçaria cultural do país.






