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Feiras do DF enfrentam desafios em meio ao crescimento do e-commerce

Com a popularização das compras online, feiras tradicionais buscam maneiras de atrair consumidores e revitalizar a economia local.

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Na era do comércio eletrônico, feiras lutam para se manter no DF

O comércio tradicional no Distrito Federal, que inclui 120 praças e quatro shoppings populares, enfrenta a concorrência crescente do e-commerce. Com 44 feiras permanentes, 47 orgânicas e 25 tradicionais, os feirantes lutam para manter seus negócios em um cenário de mudanças nos hábitos de consumo.

Desafios enfrentados pelos feirantes

Janaína Martins Guedes, uma vendedora de roupas infantis com 15 anos de experiência na Feira dos Goianos, observa uma queda acentuada no movimento. Ela relata que “o brasileiro perdeu o poder de compra. Antigamente, eu vendia muito na feira. Hoje, o pessoal compra no conforto de casa, pela internet”. Além da concorrência digital, a falta de estacionamento acessível é um obstáculo significativo. Janaína destaca que “o cliente fala: ‘Vou comprar rápido aqui porque encostei o carro ali e, se passar a fiscalização, vou tomar multa’. Isso influencia demais nas vendas”.

A adaptação à nova realidade

Adilson de Almeida, que também possui 15 anos de experiência na Feira dos Importados, percebeu uma diminuição no número de clientes. Para ele, a popularização das compras online tem um impacto direto no comércio físico. Ele acredita que, apesar das dificuldades, alguns serviços ainda atraem consumidores. “Tem gente que ainda é fiel e nos procura”, diz. Adilson ressalta a necessidade de mais apoio do governo para melhorar a infraestrutura e a segurança do local. “Uma maior divulgação para o turismo aqui na feira também seria interessante”, completa.

A perseverança dos comerciantes

Antônio José Lemos da Serra, que atua no Shopping Popular da Rodoferroviária há 18 anos, continua a trabalhar firme, mesmo com a redução de comerciantes. Ele acredita que a presença de órgãos públicos poderia revitalizar o movimento no espaço. “Os próprios feirantes não dão conta mais de trazer clientes”, observa, sugerindo que a reestruturação poderia atrair mais consumidores.

Fidelidade do consumidor às feiras

Apesar da modernização do comércio, muitos consumidores ainda preferem as feiras pela variedade e preços acessíveis. Antônio Ney, trabalhador da construção civil, frequenta a Feira dos Goianos em busca de opções. “Posso vir aqui, olhar um perfume de R$ 200 e ir no aplicativo comprar por R$ 100. Mas aqui, consigo ver, tocar, provar”, explica. Débora Lemos, técnica de secretariado, também valoriza a experiência de compra nas feiras. “Os preços são mais em conta, tem mais variedade de coisas. E o atendimento das pessoas também é muito bom”, destaca.

A importância econômica das feiras

Marcos Melo, mestre em finanças, destaca que as feiras e shoppings populares movimentam cerca de R$ 150 milhões por mês e empregam aproximadamente 30 mil pessoas. Ele salienta que esses trabalhadores ajudam a dinamizar a economia local, consumindo em outros estabelecimentos. Além disso, as feiras podem impulsionar o turismo na cidade. “Esse movimento era mais importante no passado, mas ainda é relevante para os lojistas”, afirma.

Revitalização e futuro das feiras

Daniel Franca, especialista em políticas públicas, acredita que a revitalização das feiras pode trazer benefícios significativos. “Há o fortalecimento de pequenos negócios, inclusão produtiva e revitalização territorial”, diz. Para ele, o governo deve implementar políticas públicas que incentivem o comércio local, como capacitação e melhoria na infraestrutura.

Ações do governo

O Governo do Distrito Federal (GDF) está trabalhando em melhorias para os shoppings populares. Projetos estão sendo desenvolvidos, como a transformação do Shopping Popular de Brasília em um “Mercadão”. O GDF também está integrando os espaços à plataforma DF 360 e promovendo o recadastramento dos permissionários para garantir a ocupação plena dos boxes.

A adaptação às novas dinâmicas de consumo é crucial para a sobrevivência das feiras do DF. Com iniciativas adequadas, é possível fortalecer esse segmento e garantir um espaço vital na economia local.

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