Uma operação da Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) resultou na desarticulação de uma rede que movimentou cerca de R$ 739 milhões por meio de apostas ilegais e lavagem de dinheiro. A ação, conhecida como Operação Azzardo, foi realizada na manhã de quinta-feira (5/11) e resultou no bloqueio de contas e ativos de 184 pessoas físicas e jurídicas, com restrições que podem chegar até R$ 3,48 bilhões.
Investigação detalhada
A Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Draco) iniciou as investigações há cinco meses, após a Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda (SPA/MF) sinalizar a existência de plataformas de apostas de quota fixa operando sem a devida autorização. Os investigadores descobriram que as transferências realizadas por usuários, via Pix, eram direcionadas a empresas que não tinham ligação com jogos de azar, como uma clínica de assistência psicossocial e uma loja de tarô em Sobradinho.
Estratégia de ocultação financeira
As apurações revelaram que uma série de empresas de fachada, abertas entre fevereiro e julho de 2026, eram utilizadas para mascarar a verdadeira origem dos recursos. Essas empresas possuíam capitais sociais semelhantes e estavam localizadas em áreas como Sobradinho e Ceilândia. Durante as buscas, a polícia encontrou imóveis vazios e estabelecimentos que não correspondiam às atividades registradas, indicando um esquema elaborado para dificultar a identificação dos beneficiários.
Envolvimento de fintechs e criptoativos
Um dos aspectos mais relevantes da investigação é a conexão com uma fintech de São Paulo, que, autorizada pelo Banco Central, gerenciava pagamentos para as plataformas de apostas ilegais. A movimentação financeira dessa fintech e de empresas associadas chegou a R$ 1 bilhão, com pagamentos a casas de apostas sem autorização. Em resposta a essas irregularidades, o Banco Central sinalizou a intenção de cancelar a autorização da instituição.
Recrutamento de indivíduos vulneráveis
Conforme explicou Paulo Francisco, delegado-chefe da Draco, o esquema também se aproveitou de pessoas em situações vulneráveis, recrutando-as para abrir contas bancárias e fornecer dados pessoais em troca de pequenas quantias. Esse método evidencia a complexidade da estrutura criminosa, que envolve tanto indivíduos sem conhecimento da fraude quanto criminosos de alto nível.
Implicações legais e bloqueios financeiros
As medidas judiciais, autorizadas pelo Juízo das Garantias de Sobradinho, resultaram no bloqueio de contas de 64 pessoas físicas e 120 jurídicas, além da suspensão de registros de 100 empresas. A apreensão de R$ 280 mil em criptoativos e um veículo de luxo em Curitiba também foram confirmadas. Além disso, 82 pessoas físicas e 83 jurídicas tiveram seus sigilos bancário e fiscal quebrados, permitindo assim um aprofundamento nas investigações.
A operação da PCDF não apenas ilustra o combate a fraudes financeiras, mas também destaca a necessidade de vigilância contínua sobre as apostas ilegais no Brasil. O trabalho das autoridades visa não apenas desmantelar a rede, mas também proteger os cidadãos de prejuízos financeiros associados a esses esquemas fraudulentos.






