–:–:–
Conecte-se conosco

Aves também sofrem com jet lag: descubra como isso acontece

Estudo revela que bobos-pequenos enfrentam desorientação em voos longos, semelhante ao jet lag humano.

1 visualizações
Não são só os humanos: algumas aves também sofrem com jet lag

Pesquisadores descobriram que o jet lag não é uma preocupação exclusiva dos humanos; aves também enfrentam esse fenômeno. Em particular, os bobos-pequenos (Puffinus puffinus) apresentam desorientação em suas rotas de voo ao retornar para casa, após longas viagens, devido à velocidade com que cruzam fusos horários.

Como o jet lag afeta os bobos-pequenos

Esse distúrbio, semelhante ao que ocorre com os humanos, está ligado ao relógio biológico dos bobos-pequenos, conhecido como ritmo circadiano. Esse mecanismo é crucial, pois regula não apenas o sono e a alimentação, mas também a reprodução e a navegação das aves. O ritmo interno utiliza a luz e a escuridão como referências para ajustar os processos do organismo.

Durante suas jornadas pelo oceano, essas aves marinhas, que passam a maior parte de suas vidas voando, se orientam pelo sol para voltar ao ninho. A posição do sol no céu é fundamental para que os bobos-pequenos mantenham a direção correta. No entanto, a mudança na posição solar ao longo do dia exige que eles confiem em seus relógios internos para se adaptarem e não se desviarem do caminho.

Impacto das viagens rápidas

Bobos-pequenos são aves que viajam em alta velocidade, o que, segundo os pesquisadores, pode ser a causa do jet lag. Ao cruzarem fusos horários rapidamente, suas capacidades de adaptação ficam comprometidas, resultando em um atraso de até uma hora no relógio interno em relação ao horário solar local. Esse descompasso pode afetar diretamente suas bússolas solares, prejudicando a precisão da navegação.

Para analisar essa hipótese, a equipe de pesquisa estudou 20 anos de dados de rastreamento por GPS de 1.045 bobos-pequenos durante a reprodução. Foram documentadas 3.688 viagens, das quais 1.837 foram selecionadas para avaliar os voos de volta ao ninho. Os resultados mostraram desvios de até 15 graus nas rotas das aves, confirmando que o jet lag afeta sua trajetória.

Consequências e próximos passos da pesquisa

Apesar desses desvios, os pesquisadores consideram que a correção contínua das rotas pelos bobos-pequenos minimiza o impacto geral dos desvios. Em uma viagem de cerca de mil quilômetros, um erro médio de sete graus aumentaria a distância percorrida em apenas 5 km. Agora que a pesquisa confirmou a ocorrência de jet lag nos bobos-pequenos, o próximo passo será investigar quais outros efeitos esse fenômeno pode ter sobre eles, incluindo possíveis alterações em comportamentos essenciais e repercussões fisiológicas.

Os cientistas também levantam a hipótese de que outros animais migratórios, como diferentes espécies de aves, morcegos e até insetos, possam enfrentar desafios semelhantes em suas longas jornadas.

Mais em Ciência

Ver tudo →