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Mulheres no Iêmen sobrevivem vendendo plástico em meio a guerra

Duas mães enfrentam desafios extremos para alimentar seus filhos em Taiz, cidade sitiada e marcada por conflitos.

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“Não temos nada”: No Iêmen, mulheres coletam plástico para sobreviver

Em Taiz, no Iêmen, duas mães solteiras lutam para sustentar seus filhos em meio a uma crise humanitária severa, vendendo garrafas plásticas. A cidade, que abriga cerca de 150 mil deslocados de um total de 300 mil em todo o país, está praticamente isolada devido aos intensos combates que começaram em 3 de outubro, entre o governo iemenita e os Houthis.

A difícil realidade em Taiz

Fatima Abdullah Qassem e Intizar Ahmed Saeed, que fugiram de suas casas há três semanas, enfrentam condições extremamente adversas. Elas se encontram em um prédio danificado, onde as condições de higiene são precárias. Qassem, que tem oito filhos e é separada, compartilhou que a família passou dois dias ao relento antes de conseguir abrigo. “O prédio é aberto, veja, é aberto, com lonas improvisadas. Colocamos lonas, e está congelante. Não temos cobertores, não temos nada, juro por Deus”, relatou.

Mudanças drásticas na sobrevivência

Anteriormente, as duas mulheres se sustentavam vendendo verduras, mas a escalada da violência as forçou a coletar plástico para venda, uma alternativa que mal cobre as necessidades básicas. Saeed, viúva e mãe de sete filhos, descreveu a luta diária: “Minha vida é uma luta todos os dias, por Deus, uma luta. Estou dizendo, trabalho por 1.500 riais (US$ 0,96), e não é suficiente.” A escassez de trabalho agrava ainda mais a situação, especialmente com seu filho de 15 anos sem opções de emprego disponíveis.

Impacto dos conflitos na ajuda humanitária

As organizações humanitárias alertam que a intensificação dos combates no Iêmen está deteriorando ainda mais a já crítica situação do país. A luta entre os Houthis e a coalizão liderada pela Arábia Saudita, que apoia o governo, se intensificou, criando novas frentes de conflito no contexto mais amplo de rivalidades regionais, incluindo EUA e Irã. Os Houthis têm avançado em direção ao estratégico Estreito de Bab el-Mandeb, enquanto as forças governamentais tentam retomar áreas costeiras.

Consequências da escalada de violência

A recente escalada de violência resultou no fim de uma trégua mediada pela ONU em 2022, que havia contribuído para a redução dos confrontos em grande escala. Com a retomada dos combates, crianças e famílias enfrentam um aumento alarmante da desnutrição, conforme alertado por agências, como o Unicef.

Este cenário trágico destaca a necessidade urgente de assistência humanitária e soluções políticas duradouras para o Iêmen, que continua a viver uma das piores crises humanitárias do mundo.

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