Os bebês prematuros que recebem alta hospitalar necessitam de acompanhamento contínuo para garantir seu crescimento e desenvolvimento saudáveis. Esse é o foco da campanha Novembro Roxo, que busca aumentar a conscientização sobre a prematuridade e a importância de cuidados que se estendem além da internação.
Importância do acompanhamento pós-alta
A campanha, que conta com a colaboração da Organização Mundial da Saúde (OMS) e de várias organizações dedicadas ao tema, adota o slogan: “Prematuro: pequeno no tamanho, grande no potencial. Investir no acompanhamento pós-alta é proteger o futuro”. A iniciativa visa promover uma visão mais ampla que vai além da mera sobrevivência neonatal, destacando a necessidade de garantir assistência à saúde e ao desenvolvimento das crianças após a alta hospitalar.
Desafios enfrentados pelas famílias
Denise Suguitani, diretora executiva da ONG Prematuridade.com, enfatiza que a campanha é uma oportunidade crucial para aumentar a compreensão da sociedade sobre as necessidades dos prematuros. Ela aponta que, após a alta, as famílias enfrentam desafios significativos, como a busca por orientação e acesso a especialistas para monitorar o desenvolvimento da criança. Segundo Suguitani, “investir nesse cuidado é oferecer oportunidades para que cada criança alcance seu potencial, respeitando suas necessidades e sua individualidade”.
Aspectos emocionais da alta hospitalar
A pediatra e neonatologista Rita Silveira, professora da Faculdade de Medicina da UFRGS, ressalta que a alta da UTI neonatal provoca sentimentos mistos nos pais. “A alta da UTI neonatal gera um sentimento de ambivalência por parte dos pais: de um lado, a felicidade por vencer a UTI e, de outro, o medo e a dúvida sobre se vão dar conta dos cuidados”, explica. Isso ocorre porque, embora o bebê apresente condições clínicas para ser tratado fora do hospital, ele ainda requer cuidados específicos para um desenvolvimento saudável.
Dados preocupantes sobre prematuridade
Um estudo realizado pelo Grupo IAG Saúde revelou que, entre janeiro de 2022 e junho de 2026, foram registradas 75.301 internações relacionadas a nascimentos prematuros, com 53,7% desses casos necessitando de cuidados intensivos. A média de permanência hospitalar foi de 15,2 dias, mas variou significativamente de acordo com a idade gestacional. Para bebês nascidos com menos de 28 semanas, o tempo médio de internação chegou a 49,4 dias. O estudo também indicou 1.789 readmissões hospitalares nos primeiros 30 dias de vida, frequentemente devido a problemas como icterícia e complicações respiratórias.
Estudos de acompanhamento
Uma pesquisa publicada em 2024 por cientistas da Universidade Federal de Minas Gerais acompanhou 34 crianças prematuras até 12 meses de idade corrigida, revelando que 18 delas apresentaram resultados alterados nos testes de desenvolvimento, levando a intervenções precoces para algumas.
Experiência de vida de uma prematura
Alícia Vitória, que nasceu com 27 semanas no Maranhão, exemplifica os desafios enfrentados por prematuros. Após uma longa internação, ela precisou de cuidados contínuos, especialmente após um teste do pezinho indicar uma suspeita de hiperplasia adrenal congênita. Sua mãe, Patrícia Raquel Dantas Silveira, relata que, devido à falta de informações imediatas, teve que buscar respostas na internet e enfrentar uma longa jornada para consultas médicas. Nos primeiros dois anos, as visitas ao médico eram mensais, com um acompanhamento rigoroso que se ajustou conforme Alícia crescia.
O Novembro Roxo destaca, assim, a necessidade de cuidados especializados contínuos para garantir que crianças prematuras tenham um futuro saudável e promissor.






