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A origem do Scielo: como um almoço mudou a ciência brasileira

A rede Scielo, que revolucionou a disseminação científica, nasceu de uma ideia discutida em um evento em Caxambu, em 1996.

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O boletim Notícias FAPESP e a origem da rede Scielo

Em novembro de 1996, a edição 14 do boletim Notícias FAPESP anunciou um projeto inovador que buscava aprimorar a indexação e a distribuição de conteúdos científicos no Brasil. A ideia surgiu durante um almoço em Caxambu (MG), onde se realizava um evento voltado para editores científicos. Esse encontro resultou na criação da Scientific Electronic Library Online, conhecida como Scielo.

O despertar de uma nova era para a ciência

Abel L. Packer, diretor do programa Scielo e coordenador de projetos na Fundação de Apoio à Universidade Federal de São Paulo (FapUnifesp), recorda os diálogos que moldaram essa iniciativa. Com experiência em informática de bibliotecas, ele se juntou ao bioquímico Rogério Meneghini, que se preocupava com a baixa visibilidade das publicações científicas brasileiras e o fator de impacto (FI) das revistas nacionais. “Havia poucos recursos para impressão, e a distribuição era cara. Então, o número de cópias de periódicos era mínimo”, relembra Packer.

Um processo antiquado de acesso à informação

Na época, pesquisadores internacionais que desejavam acessar periódicos brasileiros enfrentavam um processo burocrático e demorado. Eles precisavam solicitar a bibliotecas universitárias para preencher formulários que eram enviados via avião ao Bireme, em São Paulo. O retorno com a lista de artigos disponíveis poderia levar até um mês. Packer desejava transformar essa dinâmica, tornando o acesso à informação mais ágil e digitalizado.

Durante o almoço, a conversa foi mediada por Lewis Greene, então presidente da Associação Brasileira de Editores Científicos (Abec). Meneghini insistiu na importância do fator de impacto como critério para a FAPESP direcionar seus financiamentos. “Eu dizia que só seria possível medir o FI acessando as referências bibliográficas. Para ter esse acesso, só digitalizando as revistas. Então, juntamos as ideias num projeto on-line”, explica Packer.

O início do Scielo e seu impacto na ciência aberta

O projeto que visava desenvolver uma metodologia para a preparação e disseminação de publicações científicas eletrônicas recebeu aprovação de José Fernando Perez, diretor científico da FAPESP na época. No ano seguinte, em 1997, dez revistas científicas de destaque foram selecionadas para um projeto-piloto. Packer destaca que a decisão de oferecer acesso aberto foi fundamental para a relevância do Scielo: “A biblioteca virtual já nasceu disponibilizando, sem custos, periódicos indexados que podiam ser lidos e baixados por todos.”

Atualmente, a rede Scielo abrange 17 países, cada um responsável por gerenciar sua coleção nacional. A coleção brasileira conta com mais de 300 periódicos indexados, todos utilizando tecnologias e metodologias compatíveis. Além disso, há planos para expandir a rede para países como China e Turquia.

O financiamento do Scielo, que desde sua criação foi quase totalmente sustentado pela FAPESP, passou a contar em 2024 com um consórcio onde o governo federal, por meio da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), assume a maior parte do investimento, sinalizando uma nacionalização do projeto.

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