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Estudo revela uso de drogas em rituais incas de sacrifício

Pesquisadores identificam cocaína e chicha em múmias analisadas no Peru e Argentina.

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Análise de múmias revela que incas usavam drogas em rituais de sacrifício

Uma nova pesquisa destaca o uso de substâncias psicoativas durante os rituais de sacrifício no Império Inca, revelando que crianças e jovens mulheres eram preparados com drogas como cocaína e chicha para suas cerimônias sagradas. O estudo, liderado pela Universidade de Varsóvia, foi publicado na revista Antiquity e mostra como esses elementos estavam interligados à prática cultural.

A tradição da capacocha e o uso de substâncias

O ritual denominado capacocha, que ocorreu entre 1438 e 1533, era fundamental para os incas, envolvendo sacrifícios com o intuito de honrar divindades. Os sacrificados eram considerados intermediários entre os humanos e o mundo espiritual. Para potencializar suas habilidades proféticas, as crianças recebiam substâncias psicoativas antes do ritual, conforme revelado por análises toxicológicas realizadas em múmias provenientes de regiões montanhosas do Peru e da Argentina.

Metodologia da pesquisa e descobertas

Os cientistas realizaram testes em amostras de cabelo e unhas de oito múmias, locais onde as substâncias se mantêm mesmo após longos períodos. A pesquisa visava entender a diversidade de drogas utilizadas e seus efeitos nos rituais. Dagmara Socha, a autora principal do estudo, destaca que “nosso objetivo era identificar uma gama mais ampla de substâncias psicoativas administradas às crianças e determinar se os padrões em seu uso poderiam fornecer novas informações sobre como as cerimônias de capacocha eram conduzidas em diferentes locais”.

Em todas as múmias analisadas, foram encontrados vestígios de coca, o que sugere que as folhas eram utilizadas não só para aumentar as capacidades psíquicas, mas também para amenizar os desafios físicos enfrentados pelas crianças durante as longas caminhadas até os locais de sacrifício.

O papel do álcool e outras substâncias

Além da cocaína, quatro das múmias apresentaram indícios de consumo de álcool, possivelmente associado à chicha, uma cerveja de milho. Registros históricos indicam que essa bebida tinha a função de entorpecer os sentidos e acalmar os jovens durante o ritual final.

Foi ainda identificada a harmina, um alcaloide presente na ayahuasca, sugerindo que uma bebida com essa substância poderia ter um papel específico nas cerimônias ligadas a montanhas sagradas.

Implicações dos resultados

Os arqueólogos concluíram que a variação nas substâncias psicoativas utilizadas entre as múmias evidencia a falta de uniformidade nos rituais, que variavam conforme a localidade de realização. Essa descoberta fornece uma nova perspectiva sobre as práticas religiosas e sociais dos incas, ampliando a compreensão sobre suas cerimônias e a importância dos elementos químicos envolvidos.

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