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Investigações revelam esquema de apostas ilegais em diversos estados

Operação Azzardo expõe empresas que usavam licenças estaduais para atuar fora da lei

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"Bets do crime" usavam licença local para atuar ilegalmente fora do estado

A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) desvendou um sofisticado esquema de apostas ilegais, onde empresas utilizavam licenças estaduais para operar fora da legalidade em outros estados. A ação, denominada “Operação Azzardo”, foi deflagrada pela Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Draco) nesta quinta-feira (5/11).

Estrutura do Esquema

De acordo com a delegada da Draco, Ágata Natasha Santos, a investigação revelou um emaranhado de empresas, que variavam de entidades inexistentes a plataformas que operavam com autorizações de governos estaduais de maneira irregular. Essas empresas estavam envolvidas na movimentação financeira de apostadores de todo o Brasil sem a devida licença. Informações sobre a identidade dessas empresas ainda não foram divulgadas.

Empresas de fachada e aliciamento

A investigação também identificou que um único indivíduo de Goiás controlava quatro empresas que atuavam fora do estado, todas sem a legalização necessária. No total, cerca de 30 empresas estavam envolvidas no setor de apostas, muitas das quais eram meras fachadas sem presença online. Além disso, a polícia descobriu uma estratégia de aliciamento, onde pessoas de baixa renda eram recrutadas para abrir contas bancárias utilizadas no esquema. Uma das vítimas relatou que foi paga R$ 200 para abrir uma conta e fornecer seus dados pessoais.

Fintech sob suspeita

A A55 Sociedade de Crédito Direto, uma fintech localizada na Faria Lima, em São Paulo, também foi alvo da investigação. A empresa não apenas recebia dinheiro de clientes, mas a maioria deles eram casas de apostas ilegais, o que constituía a maior parte do capital circulante. A delegada ressaltou que a fintech gerenciou transações financeiras que somaram cerca de R$ 1 bilhão, ligadas a apostas ilegais e lavagem de dinheiro.

Movimentações financeiras e bloqueios

As contas mantidas na fintech eram utilizadas para direcionar pagamentos de apostadores, que eram feitos via Pix. Parte desses valores era então transferida para empresas e plataformas que operavam sem autorização federal. Em resposta, o Banco Central já manifestou a intenção de cancelar a autorização de funcionamento da fintech em questão, após a identificação de movimentações financeiras irregulares.

A operação mobilizou cerca de 200 policiais civis e resultou na execução de 50 mandados de busca e apreensão em diversas localidades, incluindo São Paulo, Goiás, Paraná, Ceará e Rio Grande do Norte. Além disso, o Juízo das Garantias de Sobradinho estabeleceu o bloqueio de até R$ 3,48 bilhões das contas dos investigados e suspendeu os registros de 100 empresas ligadas ao esquema.

Consequências e futuro da investigação

Os investigados poderão enfrentar penas que, somadas, podem alcançar até 33 anos de prisão. A operação continua a se desdobrar, com a expectativa de que mais informações sobre a rede de apostas ilegais sejam reveladas nos próximos dias, fortalecendo a luta contra a exploração de jogos de azar no Brasil.

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