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Pessoas em situação de vulnerabilidade eram aliciadas por R$ 200

Megaoperação da Polícia Civil desvela esquema de lavagem de dinheiro em Brasília.

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Pessoas vulneráveis recebiam R$ 200 para serem laranjas de "bets do crime"

Uma investigação da Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) revelou um esquema de lavagem de dinheiro que recrutava pessoas em situação de vulnerabilidade social para atuarem como laranjas, recebendo apenas R$ 200.

O esquema de aliciamento

A Delegacia de Repressão aos Crimes Contra a Ordem Tributária, a Economia e as Relações de Consumo (Draco) destacou a simplicidade com que as operações fraudulentas eram realizadas. Muitas das pessoas aliciadas eram de baixa renda e, em troca de valores irrisórios, forneciam seus dados pessoais para que suas identidades fossem utilizadas em contas bancárias e CNPJs de empresas fantasmas. A delegada Ágata Natasha Santos relatou que, em um dos casos, uma vítima mencionou ter sido recrutada por um homem e ter recebido R$ 200 para abrir uma conta bancária.

Movimentação financeira impressionante

O recrutamento de laranjas era mais comum em Sobradinho, onde a maioria das empresas fantasmas estava registrada. A operação da Draco revelou que uma única empresa fantasma movimentou mais de R$ 30 milhões em apenas uma semana. A delegada Ágata enfatizou a magnitude da fraude, afirmando que uma das empresas envolvidas operou com dezenas de milhões de reais em um curto espaço de tempo.

A profundidade da investigação

O delegado-chefe da Draco, Paulo Francisco Soares Pereira, destacou que o número de investigados aumentou consideravelmente à medida que a polícia analisava dados do Ministério da Fazenda. O que mais chamou a atenção dos investigadores foi a concentração de várias empresas registradas no mesmo endereço físico em Sobradinho. “O número inicial de investigados foi quadruplicado, multiplicado por 10”, afirmou Pereira, referindo-se a casos em que dez CNPJs estavam vinculados a um único local.

Funcionamento do esquema de apostas

A Operação Azzardo revelou que os pagamentos feitos por apostadores eram direcionados para contas mantidas em uma fintech, que posteriormente transferia os valores para empresas investigadas e plataformas de apostas não autorizadas. A PCDF identificou movimentações financeiras que totalizavam cerca de R$ 1 bilhão, incluindo repasses para casas de apostas clandestinas. O Banco Central do Brasil já havia anunciado a intenção de cancelar a autorização de funcionamento da fintech em questão.

Desdobramentos e ações judiciais

Após cinco meses de investigação, a operação mobilizou cerca de 200 policiais civis e resultou no cumprimento de 50 mandados de busca e apreensão em várias regiões, incluindo o Distrito Federal e estados como São Paulo e Paraná. As empresas de fachada eram utilizadas para dificultar o rastreamento dos pagamentos, muitas vezes registradas como estabelecimentos comerciais sem relação com o setor de apostas.

Bloqueio de bens e consequências legais

Uma ação relevante ocorreu em Ceilândia, onde foram encontradas dez empresas utilizando o mesmo número de telefone corporativo e registradas em um único lote. As investigações mostraram que essas empresas foram constituídas entre fevereiro e julho de 2026 e apresentavam capital social idêntico. O Juízo das Garantias de Sobradinho determinou o bloqueio de até R$ 3,483 bilhões dos bens dos investigados, além da suspensão dos registros de 100 empresas e a proibição de abertura de novas contas bancárias por 90 dias. Os envolvidos podem enfrentar penas que, somadas, podem chegar a 33 anos de prisão.

Diante de tais descobertas, a PCDF continua a aprofundar as investigações para desmantelar essa rede criminosa que explorava a vulnerabilidade de pessoas em busca de uma renda extra.

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