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Confiança dos brasileiros nas redes sociais permanece estável em 2023

Apesar das campanhas e mudanças, a percepção de segurança nas plataformas digitais não se alterou significativamente.

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Brasileiros desconfiam do conteúdo nas redes sociais, mas confiam nas plataformas

A confiança dos brasileiros em plataformas digitais, especialmente redes sociais, continua em um estado de estabilidade, segundo a nova edição do Índice Reglab de Confiança e Segurança na Economia Digital. O estudo, que avalia a percepção pública sobre a segurança e confiabilidade dessas plataformas, mostra que a confiança tende a ser uma característica constante entre os usuários, independentemente de eventos recentes.

Confiança nas redes sociais versus conteúdo

Os dados indicam que a confiança nas redes sociais é diferenciada. De acordo com a pesquisa, 63% dos entrevistados confiam nos serviços oferecidos, enquanto apenas 55% acreditam nas informações disseminadas nessas plataformas. Essa discrepância reflete a preocupação dos usuários com a qualidade do conteúdo que circula sem a devida curadoria.

Impactos da legislação e campanhas eleitorais

Embora a implementação do Estatuto Digital da Criança e do Adolescente (ECA Digital) e a intensa utilização das redes sociais durante campanhas eleitorais tenham sido esperadas como fatores que poderiam influenciar a confiança do público, os resultados mostram que pouco mudou. A pesquisa revelou que aproximadamente 77% dos que eram mais céticos continuam a ser, enquanto 70% dos que confiam mantêm sua postura.

Pedro Henrique Ramos, diretor-executivo do Reglab, comentou sobre a natureza estável dessa confiança. Ele destacou que “a confiança no ambiente digital se parece mais com uma característica estável de cada pessoa do que com uma opinião que muda conforme o momento”.

Desigualdade na percepção de segurança

A percepção de segurança nas plataformas digitais varia segundo o perfil demográfico dos usuários. A pesquisa apontou que apenas 48,7% das mulheres acreditam que as plataformas protegem adequadamente crianças e adolescentes, em contraste com 55,2% dos homens. Essa diferença é atribuída ao papel das mulheres como cuidadoras, que as coloca mais próximas da realidade online de seus filhos.

O ECA Digital, que visa garantir a segurança e privacidade de dados de menores, não parece ter alterado a percepção pública em relação à proteção dos jovens nas redes sociais. O relatório sugere que a verdadeira mudança dependerá da implementação efetiva da lei e sua visibilidade para o público.

Aumento no conhecimento sobre tecnologia

O estudo também revelou um crescimento no conhecimento geral dos brasileiros sobre plataformas digitais. Sete em cada dez entrevistados afirmaram conhecer todas as plataformas analisadas, um aumento em relação a levantamentos anteriores. No entanto, essa ampliação do conhecimento não é uniforme, com a categoria de inteligência artificial apresentando uma disparidade crescente entre classes sociais.

Enquanto a maioria das classes altas demonstra um conhecimento considerável sobre IAs, as classes mais baixas apresentam uma lacuna significativa. O estudo identificou que essa nova forma de exclusão digital se manifesta na desigualdade de conhecimento e habilidades em relação às tecnologias.

Desafios e futuras políticas públicas

Marina Garrote, diretora de operações e pesquisa do Reglab, enfatiza que a universalização da internet traz novos desafios para as políticas públicas, que agora precisam focar no letramento tecnológico. O objetivo é garantir que as classes populares não sejam deixadas para trás na nova economia digital.

A terceira edição do Índice Reglab entrevistou 1.099 adultos conectados à internet entre os dias 2 e 9 de outubro, com margem de erro de 3 pontos percentuais. A pesquisa foi realizada durante o primeiro turno das eleições, o que impossibilita a análise do impacto do segundo turno sobre a percepção pública.

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