Mulheres diagnosticadas com câncer de mama no Distrito Federal estão enfrentando sérias dificuldades para iniciar o tratamento oncológico na rede pública de saúde. As pacientes relatam que a espera por consultas e procedimentos pode ser angustiante e prejudicial à saúde.
Casos de atrasos no atendimento
Uma professora de 37 anos, diagnosticada com câncer invasivo em julho, compartilhou sua experiência angustiante. Desde o diagnóstico, realizado em 28 de julho, ela aguarda uma consulta com um oncologista, mesmo com o pedido classificado como prioridade 1. “Foi solicitado todos os exames de estadiamento para quando a consulta oncológica acontecesse nós já estarmos com os exames em mãos e seguirmos para a quimioterapia”, contou a paciente, ressaltando a urgência do tratamento devido ao avanço da doença.
Dificuldades enfrentadas
A paciente mencionou que, mesmo após a consulta inicial, o rompimento da mama ocorreu, intensificando a busca por atendimento médico. A falta de assistência adequada a levou a procurar o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) e a Defensoria Pública do DF (DPDF), já que o prazo legal para o início do tratamento, estipulado pela Lei nº 12.732 de 2012, não está sendo respeitado. A lei determina que pacientes com câncer devem iniciar o tratamento em até 60 dias após o diagnóstico.
Outra paciente em situação semelhante
Manuella Abrantes de Oliveira, de 40 anos, também enfrenta problemas semelhantes. O nódulo detectado em sua mama direita a levou a buscar atendimento no início de setembro. Após uma série de exames, ela recebeu o diagnóstico de carcinoma mamário invasivo em 2 de outubro. “Naquele momento, meu mundo pareceu parar”, desabafou. Desde então, ela tem lutado para conseguir consultas e exames necessários para o tratamento.
Busca por atendimento na rede pública
A publicitária enfrentou uma longa espera por uma consulta com um mastologista, mesmo com o encaminhamento prioritário. Quando finalmente conseguiu a consulta em 27 de outubro, o médico solicitou novos exames de estadiamento e a orientou a retornar na semana seguinte. Contudo, ao retornar com os exames realizados, Manuella foi informada de que o médico responsável estava de férias, tornando-se mais uma barreira em seu caminho.
Impacto psicológico e emocional
A situação de espera constante tem gerado um impacto significativo na saúde mental das pacientes e de suas famílias. Manuella, mãe de três filhos, expressou preocupação não apenas com seu próprio bem-estar, mas também com o psicológico da família. “É difícil receber um diagnóstico de câncer e, em vez de encontrar acolhimento e apoio, precisar lutar diariamente para conseguir atendimento”, lamentou.
Concluindo, a realidade enfrentada por essas mulheres ressalta a urgência de melhorias na rede pública de saúde do Distrito Federal. Elas buscam, através de denúncias e reclamações, garantir o direito ao tratamento, que é vital para sua sobrevivência e qualidade de vida.






