A vice-diretora da Fiocruz Brasília, Denise Oliveira e Silva, alerta sobre a necessidade urgente de políticas públicas que promovam o acesso a alimentos saudáveis como uma estratégia eficaz no combate à obesidade no Brasil. Em uma entrevista ao programa CB.Saúde, a especialista destaca também a popularização das canetas emagrecedoras como uma medida necessária para certos grupos da população.
Desafios na alimentação moderna
A pesquisadora aponta que a mudança nos hábitos alimentares ao longo do século 20, impulsionada pela industrialização, transformou a relação das pessoas com a comida. Essa nova realidade trouxe desafios significativos, como a diminuição do tempo dedicado à culinária e a perda de habilidades culturais ligadas à alimentação. Ela observa que a estética do corpo passou a ser uma preocupação central, afetando homens e mulheres de maneiras diferentes. Além disso, o uso de aditivos por indústrias alimentícias para aumentar a durabilidade dos produtos tem contribuído para problemas de saúde pública.
Acesso e uso das canetas emagrecedoras
Oliveira e Silva enfatiza que as canetas emagrecedoras, frequentemente utilizadas por pessoas com maior poder aquisitivo, precisam ser disponibilizadas a todos, especialmente aos que mais necessitam, por meio de políticas públicas. A Fiocruz está atenta a essa questão e propõe a distinção entre o uso terapêutico e o estético desses medicamentos. A especialista menciona a recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS) para facilitar o acesso a esses tratamentos, uma vez que o uso indevido pode acarretar sérios problemas de saúde, como pancreatites.
Preparação do SUS e a segurança no uso
A vice-diretora da Fiocruz alerta sobre os riscos da oferta de canetas emagrecedoras sem acompanhamento médico, classificando essa prática como “completamente perigosa”. Ela ressalta que é fundamental que o Estado intervenha para proteger a saúde da população e que o Sistema Único de Saúde (SUS) deve estar preparado para oferecer esse tipo de medicamento de forma segura e responsável.
Frentes de combate à obesidade
Oliveira e Silva argumenta que o combate à obesidade deve ser multifatorial, começando pela forma como os alimentos são produzidos. Ela defende a agroecologia e a importância de garantir o acesso a alimentos frescos e saudáveis, especialmente em áreas vulneráveis. A pesquisadora também destaca a necessidade de resgatar habilidades culinárias como parte da solução para a crise alimentar.
Obesidade e desigualdade social
A pesquisa de Oliveira e Silva foca no impacto da obesidade em mulheres negras, um grupo que, segundo ela, tem enfrentado um aumento significativo desse problema. Ela relaciona essa questão à insegurança alimentar e nutricional, além de apontar as desigualdades no acesso aos serviços de saúde. A especialista observa que mulheres negras frequentemente relatam experiências de cuidado inadequado no SUS, o que agrava ainda mais a situação.
Com uma abordagem abrangente e focada na equidade, a discussão proposta pela Fiocruz é crucial para o desenvolvimento de soluções eficazes no enfrentamento da obesidade e na promoção de saúde pública no Brasil.






