Uma operação da Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) desmantelou um esquema de lavagem de dinheiro que movimentou R$ 3,4 bilhões. A ação, chamada Operação Azzardo, ocorreu na manhã de 5 de novembro e conectou empresários da Avenida Faria Lima, em São Paulo, a empresas fantasmas em Ceilândia e outras localidades do Entorno do DF e Goiás.
Estrutura do esquema criminoso
A investigação, conduzida pela Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Draco/Decor), revelou uma complexa engenharia financeira. Utilizando o sistema de pagamentos Pix, apostas eram feitas em tempo real, enquanto o dinheiro era direcionado para diversos CNPJ criados entre fevereiro e julho de 2026. Esses registros pertenciam a laranjas que, no papel, operavam como clínicas e lojas de artigos esotéricos, mas na prática, eram fachadas para atividades ilícitas.
Operação em cinco estados
A ação mobilizou cerca de 200 policiais civis, cumprindo 50 mandados de busca e apreensão em várias regiões. No DF, foram 24 mandados, enquanto em estados como São Paulo, Goiás, Paraná, Ceará e Rio Grande do Norte, foram 26 mandados. Alvos principais incluíram áreas de alto padrão em São Paulo e cidades do Centro-Oeste, onde se encontraram imóveis vazios e empresas registradas em endereços fictícios.
Bloqueio de bens e contas
Com o volume financeiro em questão, o Juízo das Garantias de Sobradinho determinou severas medidas de bloqueio patrimonial. Isso incluiu a suspensão do CNPJ de 100 empresas e a indisponibilidade de valores até o limite de R$ 3,483 bilhões. Além disso, foram impostas restrições financeiras, como a proibição de abertura de novas contas por três meses e o sequestro de veículos de luxo.
Legislação e tentativas de legalização
Durante as investigações, constatou-se que a organização tentava legitimar suas operações alegando possuírem autorizações de loterias estaduais. No entanto, essas licenças eram específicas e não se aplicavam às apostas em questão. A situação foi piorada pela Medida Provisória nº 1.394/2026, que estabeleceu novas regras para a operação de apostas, tornando ainda mais evidente a ilegalidade das atividades.
Consequências legais
Os materiais apreendidos durante as ações, incluindo equipamentos eletrônicos e criptomoedas, passarão por perícia para identificar os reais responsáveis pelo esquema. Os envolvidos poderão enfrentar penas que variam de 11 anos e 6 meses até 31 anos de reclusão, podendo chegar a 33 anos em casos de falsidade ideológica em documentos públicos.
A Operação Azzardo destaca a necessidade de um combate mais rigoroso à lavagem de dinheiro e à exploração de apostas ilegais, evidenciando uma rede criminosa que operava de maneira sofisticada e disfarçada.






