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André Lara Resende desmente rumores sobre encontros com Lula e propõe nova política monetária

Economista critica taxa de juros alta e defende criação de novo conselho fiscal para melhorar a economia do Brasil.

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'Não falei com Lula nem tenho nada marcado. Isso foi plantado para queimar alguém que defendeu a proposta', diz economista André Lara Rezende

O economista André Lara Resende, conhecido por seu papel na criação do Plano Real, gerou discussões sobre a política econômica brasileira após a publicação de um artigo na plataforma Substack, em setembro. O texto propõe a criação de um novo órgão para gerir as políticas monetária e fiscal do país, ideia que, segundo ele, visa combater a taxa básica de juros exorbitante.

Proposta de reforma monetária

Lara Resende, que foi presidente do BNDES e diretor do Banco Central, destaca que seu objetivo central é explicar a alta taxa de juros no Brasil e sugerir formas de superá-la. Em suas palavras, “não significa subscrever que o país não tem problemas com gastos [públicos] e com tributação, mas não são eles que estão criando o problema do déficit fiscal brasileiro”. Ele argumenta que o déficit fiscal de 0,48% do PIB, conforme dados do Tesouro Nacional de 2025, é mais influenciado pelos altos juros do que pelos gastos governamentais.

Críticas à concentração de riqueza

O economista define a atual situação como uma “bolsa-rentista”, onde os altos juros pagos aos detentores de dívida favorecem a parcela mais rica da população, exacerbando a desigualdade. Ele relaciona diretamente a taxa de juros elevada ao aumento da concentração de renda e riqueza no Brasil.

Rumores sobre Lula e o governo

Recentemente, a deputada federal Gleisi Hoffmann compartilhou o artigo de Resende, o que gerou especulações sobre um possível encontro com Lula, que está avaliando nomes para seu futuro Ministério da Fazenda. Contudo, Lara Resende foi enfático ao afirmar: “Eu não falei com o presidente Lula, não tenho nem tive contato com ele, assim como não tenho nada marcado [para apresentar a ideia a ele]. Essa notícia foi plantada obviamente para queimar a proposta”.

Detalhes sobre a proposta de um novo conselho

O núcleo da proposta de Resende envolve a criação do Conselho Fiscal e Monetário Nacional (CFMN), que funcionaria em conjunto com o Banco Central para definir metas de longo prazo para a política fiscal e para a taxa de juros. A implementação dessa proposta, no entanto, depende da aprovação do Congresso Nacional, uma vez que o Banco Central não possui autonomia para criar conselhos próprios.

Controvérsias e reações

A proposta de Resende não foi bem recebida por todos, especialmente no setor financeiro e entre críticos que acreditam que a ideia visa diminuir os juros de forma inadequada. Ele, por sua vez, garante que não está propondo tabelamento de juros, mas sim uma coordenação institucional que permita uma redução segura da taxa de juros. “Os números são meramente indicativos”, explica ele, enfatizando que a trajetória da taxa deve ser ajustada conforme as circunstâncias.

Resende também discute a crítica de que sua proposta poderia levar a uma fuga de capitais e desvalorização do real, afirmando que a atual situação do Brasil, com superávit comercial e reservas robustas, minimiza esses riscos.

Conclusão sobre os desafios econômicos

André Lara Resende acredita que a coordenação das políticas monetária e fiscal pode ser a chave para a sustentabilidade fiscal do Brasil, permitindo que o país saia de um cenário de altos juros para um equilíbrio mais saudável. “A redução gradual e anunciada da taxa básica de juros”, segundo ele, “garantiria a convergência da relação entre dívida e PIB”. A proposta, embora polêmica, busca trazer um novo olhar sobre a economia brasileira e os desafios que o país enfrenta na busca por um crescimento sustentável.

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