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Professor de Cambridge alerta sobre ajuste fiscal no governo Lula

Tiago Cavalcanti comenta a necessidade de medidas fiscais consistentes para evitar crises econômicas no Brasil.

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'Meu medo é o governo Lula buscar atalhos e brigar com o mercado': por que professor em Cambridge defende ajuste fiscal 'suave'

O economista Tiago Cavalcanti, professor titular na Universidade de Cambridge, enfatiza que o Brasil não pode contar com “atalhos” para equilibrar suas contas públicas e reduzir os juros. Para ele, o governo de Luiz Inácio Lula da Silva deve anunciar com urgência um plano de ajuste fiscal gradual que estabeleça credibilidade e confiança no mercado.

A importância de um ajuste fiscal gradual

Cavalcanti sugere que a primeira medida a ser tomada é a apresentação de uma nova equipe econômica que tenha um histórico de comprometimento com a responsabilidade fiscal. Ele acredita que, ao invés de cortes abruptos, o governo pode optar por um processo de suavização ao longo dos anos. Isso permitiria que o governo mantenha seus compromissos sociais, ao mesmo tempo em que controla os gastos públicos.

Desafios das promessas de Lula

Apesar do compromisso de Lula em não cortar programas sociais, Cavalcanti argumenta que reformular a regra que garante aumentos do salário mínimo acima da inflação em períodos de crescimento econômico é crucial. Para ele, a manutenção do reajuste apenas pela inflação é a abordagem mais viável enquanto o equilíbrio das contas públicas não for alcançado.

O impacto do salário mínimo é significativo, uma vez que ele serve como base para aposentadorias, pensões e outros benefícios, representando mais de 40% das despesas primárias da União. Cavalcanti acredita que é possível recuperar o poder de compra do mínimo, mas não através de aumentos constantes e além da inflação, que poderiam comprometer a sustentabilidade fiscal.

Expectativas econômicas e sinais ao mercado

Cavalcanti alerta que as expectativas econômicas são fundamentais e que falhas em ancorá-las podem levar o governo a buscar “atalhos” prejudiciais. Ele menciona a experiência de 2003, quando Lula assumiu e tomou compromissos claros que ajudaram a estabilizar as expectativas do mercado.

Para ele, o governo deve agir rapidamente, anunciando não apenas a nova equipe do Ministério da Fazenda, mas também diretores do Banco Central que possam transmitir confiança. Ele sugere que essa equipe deve incluir economistas que inspirem credibilidade e que possam implementar um plano de ajuste fiscal realista e gradual.

Críticas a propostas de redução rápida da Selic

Cavalcanti também critica a proposta de André Lara Resende de uma rápida redução da taxa Selic para 7,5% ao ano, considerando que a evidência empírica para tal medida é insuficiente. Ele destaca que a experiência de outros países, como a Turquia, serve como um alerta sobre os riscos de políticas monetárias impulsivas que podem levar à hiperinflação.

Em suas observações, Cavalcanti argumenta que a atual taxa de juros no Brasil, de 13,75%, é insustentável para o crescimento econômico e que a redução gradual é necessária para garantir um futuro fiscal mais saudável.

Por fim, a análise de Cavalcanti sugere que o equilíbrio entre ajuste fiscal e responsabilidades sociais é possível, mas exigirá decisões estratégicas e prudentes por parte do governo Lula. O desafio será encontrar um caminho que mantenha os compromissos sociais enquanto se busca a sustentabilidade financeira do país.

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