O Brasil enfrenta grandes desafios na ampliação da produção de fitoterápicos, um setor que poderia fortalecer a saúde pública e a economia local. O especialista Euclides Lara Cardozo Junior, farmacêutico e engenheiro agrônomo da Sustentec, enfatiza que a produção de fitoterápicos está alinhada às práticas de sustentabilidade, essenciais no mundo atual.
A importância da sustentabilidade na fitoterapia
Cardozo Junior argumenta que a utilização de plantas medicinais não apenas melhora a qualidade de vida da população, mas também contribui para a sustentabilidade ambiental e social. Ele afirma: “Ao trabalharmos com plantas medicinais e agregarmos valor a elas — produzindo extratos e fornecendo-os com alto grau de padronização e tecnologia —, trazemos uma opção terapêutica confiável para os usuários desses medicamentos.” Além disso, destaca que essa prática pode aumentar a remuneração dos agricultores que fornecem as matérias-primas.
Desafios regulatórios e de mercado
Apesar das vantagens, o farmacêutico alerta que o setor enfrenta graves obstáculos, como a falta de investimentos e a carência de incentivos. Ele observa que a legislação brasileira para medicamentos ainda favorece produtos sintéticos e biológicos, o que prejudica a produção de fitoterápicos. “Os medicamentos oriundos de plantas possuem suas próprias peculiaridades e, infelizmente, nosso arcabouço legal ainda não está totalmente adequado para o melhor aproveitamento da nossa flora medicinal e para o desenvolvimento de medicamentos a partir dela”, destaca.
Desiquilíbrio nas compras públicas
A ausência de fitoterápicos nas compras do sistema público de saúde resulta em um mercado desbalanceado. Cardozo Junior menciona que, embora o Brasil consuma uma quantidade significativa de medicamentos, os fitoterápicos não são priorizados, o que desestimula a produção. Ele também observa que muitos produtos disponíveis no mercado são elaborados com extratos importados, reduzindo o aproveitamento das plantas nativas.
Metas para o futuro do setor
O Plano Nacional de Desenvolvimento da Bioeconomia (PNDBio), lançado em abril deste ano, visa aumentar a participação de fitoterápicos no mercado farmacêutico nacional de 0,5% para 5% até 2035. Em 2022, o setor faturou cerca de US$ 173 milhões, representando menos de 0,1% do mercado global. O plano visa expandir esse número para R$ 10 bilhões, promovendo a valorização da biodiversidade e a geração de empregos.
Iniciativas da Sustentec
Desde 2010, a Sustentec tem se dedicado à produção de extratos de plantas medicinais através de parcerias com o setor público e seus associados. Cardozo Junior esclarece: “Esses insumos são os extratos incorporados nas formulações de medicamentos. Portanto, a Sustentec não produz medicamentos fitoterápicos propriamente ditos; produzimos os extratos, ou seja, os ativos que serão incorporados às formulações.”
Próximos passos
Para discutir como o Brasil pode explorar sua biodiversidade e desenvolver medicamentos fitoterápicos, será promovido um encontro intitulado “Desafios dos Fitoterápicos no Brasil”, no dia 10 de novembro, com a participação de especialistas no assunto. A realização desse evento reflete a crescente necessidade de abordar os desafios e potencialidades do setor fitoterápico no país.






