O médico Alexandre Kalache destaca que o Brasil enfrenta um grave desafio em relação ao envelhecimento, com um aumento significativo da mortalidade precoce, especialmente durante a pandemia. Ele observa que muitos brasileiros com menos de 60 anos sucumbiram a doenças crônicas como obesidade, diabetes e hipertensão.
O envelhecimento funcional e suas implicações
Um estudo internacional divulgado na revista Plos One indica que os brasileiros começam a envelhecer funcionalmente cerca de dez anos antes dos europeus. Enquanto na Europa o declínio das capacidades físicas e mentais tem início aos 80 anos, no Brasil essa realidade se instala aos 70 anos. Essa diferença reflete a necessidade urgente de reavaliar as condições de vida e saúde da população.
Condições de vida e políticas públicas
Kalache argumenta que o envelhecimento precoce está diretamente ligado às condições de vida da população, como a falta de acesso a cuidados de saúde adequados, alimentação saudável e a prática regular de exercícios físicos. Ele defende a implementação de políticas públicas que promovam um melhor entendimento sobre longevidade, permitindo que os brasileiros envelheçam com mais qualidade de vida.
Apoio às famílias e formação de profissionais
Em sua recente visita a Brasília para o lançamento do livro “A revolução da longevidade”, Kalache enfatizou a importância de apoiar as famílias no cuidado dos idosos. Segundo ele, a estrutura familiar atual não é mais capaz de lidar sozinha com a demanda de cuidados. Ele ressaltou que a formação de profissionais de saúde que compreendam as nuances do envelhecimento é uma necessidade premente.
Uma nova visão para o Ministério da Longevidade
O especialista sugere que, em vez de um Ministério dos Idosos, o governo crie um Ministério da Longevidade, englobando toda a sociedade nas discussões sobre envelhecimento. Para Kalache, o rótulo atual é limitante, pois muitos brasileiros não se identificam como idosos. A nova nomenclatura poderia ajudar a despertar uma consciência coletiva sobre as questões que envolvem a longevidade.
Desafios e responsabilidades do Estado
Kalache destaca que a responsabilidade pelo bom envelhecimento deve ser do Estado, conforme estipulado no Estatuto do Idoso. Ele menciona que a pandemia evidenciou o impacto da ausência de políticas públicas eficazes, já que muitos jovens morreram devido a comorbidades agravadas pela falta de cuidados adequados. Políticas que promovam a cultura do cuidado são essenciais para reverter essa situação.
Conclusão
Os desafios do envelhecimento no Brasil exigem uma resposta integrada e robusta por parte do governo. Kalache clama por uma abordagem que priorize não apenas os idosos, mas toda a sociedade, incentivando uma reflexão sobre a qualidade de vida e a longevidade. A criação de um Ministério da Longevidade pode ser um passo importante nessa direção.






