Na noite de sexta-feira, 6 de novembro, Santiago Peña, presidente do Paraguai, anunciou sua renúncia em uma mensagem publicada nas redes sociais, com um tom de despedida. Ele justificou sua decisão como uma medida para “evitar mais danos ao país e contribuir para devolver a tranquilidade ao Paraguai”.
A renúncia em meio à crise política
Peña enfatizou que sua presença não deveria ser causa de “maior divisão ou instabilidade”, destacando a importância de colocar o país acima de seus interesses pessoais. Ele se despediu “sem ignorar a angústia daqueles que hoje aguardam respostas”, reforçando a necessidade de união entre os paraguaios para reconstruir a institucionalidade e recuperar a confiança.
Votação sobre impeachment em andamento
A renúncia de Peña ocorre em um momento crítico, enquanto o Senado paraguaio vota um pedido de impeachment contra ele, sob acusações de irregularidades envolvendo o Ueno Bank. Este banco anunciou o fechamento na última terça-feira, 3 de novembro, deixando milhões de clientes sem acesso a suas contas bancárias. Embora sua presença fosse esperada na sessão, o presidente não compareceu e foi representado por seus advogados, Adolfo Ferreiro e Ricardo Preda.
Na quinta-feira, 5 de novembro, a Câmara do Paraguai aprovou por unanimidade o impeachment de Peña, enquanto o pedido de impeachment do vice-presidente Pedro Alliana foi negado. As acusações dirigidas a Peña incluem “grave e sistemático mau desempenho de suas funções”, e a proposta é pela “retirada da investidura” do presidente, que assumiu o cargo em agosto de 2023 para um mandato de cinco anos.
Crise no setor bancário e conflitos de interesse
Os advogados de Peña alegam que o impeachment é nulo, pois ele apresentou sua renúncia antes das sessões. A crise bancária envolve o Ueno, que, sob a propriedade do Grupo Vázquez, enfrentou um processo de liquidação após o Banco Central identificar um déficit em seus índices de solvência, relacionado a empréstimos a empresas ligadas ao grupo.
Peña, que é economista e foi acionista do grupo até março de 2022, se viu no centro das acusações de conflito de interesses, manipulação regulatória e desvio de recursos previdenciários. Durante uma sessão, a deputada da oposição, Rocío Vallejo, criticou a situação, afirmando: “Nunca antes alguém prejudicou, em um único dia, 3 milhões de pessoas na República do Paraguai, e o senhor conseguiu isso, senhor presidente.”
Medidas para mitigar os danos
Em sua mensagem, Peña afirmou que aqueles envolvidos nas irregularidades responderão perante a Justiça e que uma lei será promulgada para permitir que os poupadores do Ueno recuperem seus fundos de forma mais rápida. Ele pediu a todos os setores políticos que priorizem os interesses dos poupadores. A situação ainda requer atenção, enquanto o Paraguai enfrenta uma das suas mais severas crises políticas e financeiras.






